Sua primeira parada foi o Festival de Cultura Coreana em São Paulo, que, segundo ele, superou de quatro a cinco vezes as suas expectativas do que esperava encontrar no país.
Gaho chega para sua primeira passagem pelo Brasil sendo marcado por encontros, descobertas e muitas expectativas. Em coletiva de imprensa realizada durante a turnê no Brasil, o cantor fala sobre a recepção dos fãs, a culinária brasileira e o desafio de cantar em português, além do seu processo de criação, o sucesso internacional de suas trilhas sonoras e a nova liberdade artística que passou a experimentar desde a criação de seu próprio selo.

E, para quem acompanha sua trajetória, a visita também representa um momento especial: é a primeira vez que o artista realiza uma turnê solo pelo Brasil, passando por oito cidades e buscando justamente ampliar o contato direto com o público.
“Acho que vão acontecer coisas muito incríveis aqui”
A relação de Gaho com o Brasil começou antes mesmo de seu primeiro show. Ao desembarcar no país, ele encontrou fãs no aeroporto, recebeu presentes e percebeu que a viagem seria diferente do que havia imaginado. O artista contou que, desde esse primeiro contato, passou a esperar que novas experiências marcantes acontecessem durante a passagem pelo país, já que cada dia tem trazido novidades e a sensação de que ainda há muito para descobrir.
A confirmação veio já no Festival da Cultura Coreana que o surpreendeu com a participação calorosa dos fãs. Além de funcionar como uma primeira troca com os fãs brasileiros, o festival também teve um significado especial porque permitiu que pessoas que não conseguiram comprar ingressos para seu show solo pudessem conhecê-lo. Para o artista, foi uma oportunidade importante de se apresentar ao público antes de iniciar oficialmente sua turnê.
Entre guaraná e feijoada: descobrindo os sabores do Brasil
A passagem pelo país também trouxe espaço para uma das experiências inevitáveis de qualquer visitante: experimentar a culinária brasileira. Gaho contou que percebeu algumas semelhanças entre a comida brasileira e a coreana, mas dois itens chamaram especialmente sua atenção: guaraná e feijoada.
Para o cantor, o guaraná poderia ocupar no Brasil um espaço semelhante ao da Coca-Cola na Coreia do Sul, uma bebida que ele facilmente consumiria bastante. Já a feijoada conquistou sua curiosidade, embora tenha um pequeno problema para quem precisa subir ao palco logo depois: é uma comida pesada demais para ser consumida antes de um show. Por isso, o artista já parece ter percebido que o momento ideal para a experiência é depois das apresentações.
E, além dos pratos tradicionais, Gaho demonstrou interesse em conhecer aquilo que os jovens brasileiros realmente comem no dia a dia, especialmente comidas de rua, opções populares e acessíveis. A curiosidade surgiu justamente da comparação com a Coreia, onde alimentos como o miojo fazem parte da rotina de muitos jovens.
O desafio de cantar em português
Uma das experiências mais diferentes para Gaho foi trabalhar com o idioma português. Questionado sobre as dificuldades encontradas durante os ensaios para o cover de “Meu abrigo” da banda Melim, o artista explicou que a questão não estava apenas na pronúncia: o ritmo e a divisão das palavras na música também representaram um desafio.
Segundo ele, a estrutura rítmica das músicas em português é diferente daquela com a qual está acostumado em músicas coreanas ou em inglês. O esforço, porém, está diretamente relacionado a uma das principais preocupações de Gaho nessa turnê no Brasil, que é criar momentos em que os fãs brasileiros possam cantar junto com ele.
Essa preocupação resultou na participação direta dos seus fãs na escolha da música que o cantor preparou como cover. O artista contou que recebeu muitas sugestões dos fãs sobre quais músicas poderia cantar e procurou escolher uma faixa que atendesse a dois critérios: que combinasse com sua voz e que permitisse aos fãs brasileiros acompanhá-lo durante a apresentação, na intenção de criar uma experiência compartilhada no palco. Mais do que simplesmente apresentar uma música brasileira, Gaho queria que o público pudesse participar ativamente do momento.

Oito cidades e uma turnê pensada para encontrar o público
Enquanto muitas turnês internacionais acabam concentradas principalmente em São Paulo, Gaho optou por uma rota mais ampla pelo Brasil.
Sua primeira turnê pelo país vai passar por oito cidades, incluindo capitais das regiões Norte e Nordeste. A decisão foi pensada justamente para aumentar o contato do artista com o público brasileiro. Gaho explicou que, por ser sua primeira visita ao Brasil, conversou com a produção para montar uma programação que o permitisse encontrar o maior número possível de pessoas, o que resultou em uma agenda que foi além dos shows oficiais.
A participação em festivais e em outros eventos, também fez parte de uma experiência que o artista considera positiva. Para ele, poder participar de diferentes formatos de eventos durante uma turnê é uma maneira de conhecer públicos diferentes e enriquecer a experiência de estar no país.
“To mars”: uma música sobre amor e proximidade
A turnê brasileira leva o nome de “To mars”, seu single mais recente, lançado justamente no início dessa nova etapa mais independente da carreira. A escolha da música como título da primeira turnê pelo Brasil está diretamente ligada ao significado pessoal que ela possui para Gaho.
O artista explicou que “To mars” foi uma das primeiras músicas lançadas depois da abertura de seu novo selo e que carrega mensagens que ele queria transmitir diretamente aos fãs. Por isso, a faixa pode ser entendida quase como uma “fan song”, uma música criada a partir de sentimentos que ele queria compartilhar com quem acompanha seu trabalho.
O conceito da música também utiliza a imensidão do espaço como metáfora para o amor. Para o cantor, o universo pode parecer extremamente distante, mas continua visível aos nossos olhos; as estrelas estão longe, mas conseguimos enxergá-las. Foi justamente essa relação entre distância e proximidade que inspirou a maneira como ele pensou o amor recebido dos fãs. É uma metáfora que ganha ainda mais força quando aplicada à carreira internacional do artista – mesmo estando fisicamente distante de seus fãs em diferentes partes do mundo, Gaho consegue perceber a presença deles através da música, das apresentações e da forma como suas canções continuam sendo ouvidas e cantadas anos depois de lançadas.
Uma nova fase marcada pela liberdade artística
A turnê brasileira também acontece em um momento de transformação na carreira de Gaho. Comparando sua passagem pelo Brasil com turnês passadas em outros países, o artista destacou uma mudança fundamental: agora ele possui sua própria estrutura e pode tomar decisões com muito mais liberdade. Antes havia limitações sobre quais projetos o cantor poderia realizar e para onde viajar. Agora, com seu próprio selo, Gaho afirma ter maior autonomia para decidir como quer trabalhar e, principalmente, quais públicos deseja encontrar.
Essa liberdade foi justamente uma das ideias que ele quis levar para a nova turnê: se quiser encontrar os fãs em determinado país, ele pode decidir ir. Se escolher permanecer mais tempo em um lugar, também pode organizar sua agenda dessa maneira. Para o artista, essa flexibilidade permite transmitir de maneira mais direta aquilo que sente pelos fãs.
O impacto de “Start Over” e a surpresa de ser cantado do outro lado do mundo
Entre as músicas que marcaram a carreira de Gaho, “Start Over” ocupa um lugar especial. A faixa, associada ao drama Itaewon Class, tornou-se especialmente conhecida entre fãs brasileiros de K-dramas. Durante a coletiva, o cantor foi questionado se imaginava que a música poderia atravessar tantas fronteiras e, anos depois de seu lançamento, ser cantada por pessoas do outro lado do mundo. A resposta foi direta: ele não imaginava.
Segundo o artista, nem ele, nem sua empresa e nem mesmo seus pais poderiam prever que a música alcançaria esse nível de reconhecimento internacional. A experiência de ouvi-la sendo cantada pelo público brasileiro durante o festival foi, por isso, especialmente emocionante. O momento também ajuda a explicar a importância que o Brasil passou a ter para o artista. Uma música criada originalmente para uma produção sul-coreana conseguiu atravessar a tela, chegar a outro continente e se transformar em uma experiência coletiva entre artista e público.
As OSTs e o processo de transformar histórias em música
Gaho também falou sobre seu trabalho com trilhas sonoras de dramas coreanos e explicou que o processo de criação de uma OST é diferente daquele de uma música solo. Em trabalhos como em “Itaewon Class” e “Sorriso Real”, o artista recebe acesso ao roteiro e consegue conhecer a história antes de finalizar sua participação. Em alguns casos, ele também observa as atuações dos atores para compreender melhor as emoções que precisa transmitir através da música.
A dinâmica cria uma situação curiosa: enquanto os atores gravam suas cenas sem necessariamente saber quem interpretará a música-tema, Gaho recebe a história antes e utiliza a atuação como referência para sua própria interpretação. Ele lê o roteiro, observa os personagens e depois procura colocar a emoção daquela narrativa na voz. Esse processo mostra uma das características mais importantes do trabalho do artista: a capacidade de transitar entre diferentes funções criativas, indo além da interpretação.
Cantor, compositor e produtor: criar a próxima música é um desafio constante
Ao falar sobre seu processo artístico, o cantor revelou que existem dois grandes desafios que o acompanham atualmente. O primeiro é a responsabilidade de criar uma nova música depois de já ter produzido trabalhos que considera bons. A pergunta sobre qual será o próximo estilo, qual será a próxima canção e como superar o trabalho anterior é algo que continua presente mesmo depois dos shows, quando ele retorna ao hotel.
O segundo desafio é ainda mais pessoal: sua própria voz. Gaho brincou que, se pudesse receber dois poderes especiais, gostaria de ter a capacidade de escrever músicas perfeitamente e de garantir que sua voz estivesse em condições perfeitas em todos os shows. A resposta revela também a pressão que existe por trás de uma apresentação ao vivo. Para o público, o show acontece durante algumas horas. Para o artista, porém, existe toda uma preparação anterior, desde a composição até a preocupação com a condição vocal no dia da apresentação.
KAVE: o sonho de levar a banda para o Brasil
Além de sua carreira solo, Gaho também falou sobre seu trabalho como vocalista da banda KAVE. Desde 2024, o artista passou a dividir sua trajetória entre os projetos solo e a banda, e explicou que existe uma diferença importante entre os dois processos criativos. Enquanto as músicas solo exigem que ele pense em diferentes aspectos da produção e da carreira, a criação para o KAVE acontece de maneira mais espontânea. O grupo nasceu com a intenção de fazer música de forma divertida e compartilhar essa diversão com os fãs.
Por isso, o vocalista afirmou que consegue escrever para a banda seguindo mais o fluxo de seus sentimentos, sem pensar tanto nas exigências que normalmente acompanham uma produção solo. E existe um objetivo que ele gostaria de transformar em realidade: levar o KAVE ao Brasil, permitindo que os fãs brasileiros conheçam uma outra parte de sua identidade musical.
K-pop, K-dramas e o crescimento da música coreana no mundo
Gaho também refletiu sobre o crescimento global da cultura coreana e a forma como K-pop e K-dramas abriram espaço para artistas como ele. Para o cantor, seu próprio crescimento internacional está diretamente ligado à força construída por idols e produções dramáticas coreanas ao redor do mundo. Ele afirmou reconhecer que recebeu muito desse movimento e que artistas solo, compositores e outros profissionais conseguem alcançar públicos internacionais graças ao interesse que o K-pop e os K-dramas despertaram pela Coreia do Sul, sua língua e sua cultura.
Mais do que simplesmente reconhecer esse impacto, Gaho se colocou como um admirador desse movimento. Segundo ele, torce tanto pelo crescimento dos artistas de K-pop quanto pelo sucesso dos K-dramas, porque acredita que, quanto mais esse universo crescer, mais oportunidades também surgirão para outros artistas.
Uma passagem pelo Brasil que ainda está só começando
Entre comida, música, novos públicos e uma extensa agenda de apresentações, a passagem de Gaho pelo Brasil ainda está sendo construída. Desde a chegada no país, o artista vem colecionando momentos com os fãs brasileiros, começando pela recepção no aeroporto e passando pela participação no Festival da Cultura Coreana, onde se surpreendeu com a energia do público.

Com oito cidades no roteiro e uma programação pensada para ampliar esse contato, a estreia do cantor no país tem muito a entregar. Pelo entusiasmo demonstrado na coletiva, a expectativa é que os shows aprofundem ainda mais sua conexão com o Brasil e seu público. Confira as próximas paradas de Gaho com a turnê “To Mars” no Brasil:
São Paulo (22/08): Studio Stage
São Luís (23/08): Humberto de Maracanã
Belém (28/08): Teatro IT Center
Fortaleza (30/08): Teatro Brasil Tropical
Salvador (01/09): Teatro da Cidade
Florianópolis (03/09): John Bull
Porto Alegre (04/09): Centro de Eventos CIEE
Curitiba (05/09): Igloo Super Hall
Para mais informações de ingresso, confira o site Meaple .
