O gostinho dos dramas asiáticos que a gente ama, agora em episódios de um minuto para assistir no celular.
Se você adora passar horas no TikTok, talvez já tenha esbarrado neles. Com episódios curtinhos, ritmo acelerado e histórias envolventes, os dramas verticais vêm ganhando espaço no entretenimento asiático.
Pensados para assistir no celular, no formato de vídeo vertical (9:16), eles se encaixam facilmente na rotina: naquele tempinho livre numa sala espera, no trajeto para o trabalho ou como distração antes de dormir.

O formato surgiu na China e ganhou popularidade rapidamente durante a pandemia de Covid-19. Com o boom, os microdramas chineses, ou duanju (短剧) em mandarim, ultrapassaram fronteiras nacionais e viraram um fenômeno global.
Em 2024, o setor já movimentava mais de 50 bilhões de yuans, cerca de 38 bilhões de reais (Times Brasil), e a plataforma de dramas verticais ReelShort chegou a superar o TikTok temporariamente, tornando-se o aplicativo mais baixado no iOS e Android nos Estados Unidos.
A Tailândia entrou no jogo (e com força)
A indústria tailandesa, que já domina o mundo dos BLs e GLs, surfa na onda dos dramas verticais de um jeito estratégico:
A produtora de televisão GMMTV, por exemplo, apostou em continuações de séries queridas pelo público em versões curtas para celular.
Cat for Cash (2026), série estrelada por Khaotung e First, ganhou um spin-off vertical, Cat for Honeymoon, lançado em março. Já a série Me and Thee (2025) voltou em 2026 com Pond e Phuwin estrelando o drama vertical Thee and Thee.

Os dramas estão disponíveis nos canais do YouTube, Instagram e TikTok da GMMTV.
E no Br?
A gente não ficou de fora. Por aqui, o Globoplay lançou “novelinhas” verticais originais, começando por Tudo Por Uma Segunda Chance (2025), um melodrama com 50 capítulos curtos publicados nas redes sociais da plataforma. Na história, Soraia (Jade Picon) faz de tudo para “roubar” o milionário Lucas (Daniel Rangel) de Paula (Débora Ozório), a “mocinha” que precisa provar sua inocência.

Na sequência, veio Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário (2025), disponível exclusivamente no streaming, além de outras apostas, incluindo spin-offs de novelas já conhecidas pelo público da TV Globo.
E não para por aí. Plataformas internacionais já estavam de olho no público latino-americano, investindo em dublagens e produções locais.
Um exemplo é A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário (2025), produção brasileira da ReelShort, que viralizou com episódios gratuitos no TikTok e Instagram. Para continuar assistindo, o público precisa comprar moedas virtuais no aplicativo da ReelShort, ou assistir à anúncios para liberar novos capítulos.
O outro lado da moeda
Se por um lado os dramas verticais chamam a atenção pela praticidade de maratonar no celular, trazendo tropes conhecidas (como enemies to lovers, o CEO que se apaixona pela funcionária ou casamento arranjado) e cliffrangers que prendem a atenção dos espectadores, por outro, a indústria aprofunda problemas já presentes no ecossistema das plataformas, como a monetização do tempo livre e a aceleração dos processos produtivos.
Alguns dramas verticais já utilizam “atores virtuais” e roteiros gerados por IA, levantando preocupações sobre a precarização do trabalho de artistas, roteiristas e equipes criativas, especialmente diante da pressão por produzir em ritmo cada vez mais veloz.
Entre novas formas envolventes de contar histórias e os bastidores de um mercado lucrativo, ainda estamos descobrindo os limites e as potências dos dramas verticais nas telinhas.
Para entender o potencial, vale dar o play. Siga a FunFact no Instagram e conte para nós quais dramas verticais você já assistiu e o que achou da experiência!
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