“Golden” vence como Melhos Canção Original e consolida uma mensagem de persistência
No Golden Globes 2026, quando “Golden” foi anunciada como Melhor Canção Original, EJAE transformou o clássico “obrigada pelo prêmio” em um relato de dez anos de tentativas, rejeições e recomeços. Entre memórias de audições fracassadas e a alegria de segurar um troféu, uma frase em particular acabou resumindo a noite:
“Rejection is redirection”.

KPop Demon Hunters (Guerreiras do KPop), lançado em junho de 2025 e vencedor de Melhor Filme de Animação no mesmo Golden Globes, acompanha um girlgroup de K-pop que caça demônios enquanto faz shows, misturando elementos do gênero com fantasia animada. O filme, produzido pela Sony Pictures Animation com orçamento estimado em US$ 100 milhões, já havia se tornado o mais assistido da Netflix com mais de 500 milhões de visualizações até dezembro de 2025 e faturamento de US$ 19,2 milhões em sua abertura nos cinemas em 1.700 salas.
De trainee ao palco do Golden Globe
Ao subir ao palco, EJAE começou voltando no tempo, para a infância e a adolescência dedicadas ao sonho de ser idol. Ela contou:
“When I was a little girl, I worked tirelessly for 10 years to fill one dream, to become a K-pop idol, and I was rejected and disappointed that my voice isn’t good enough, and so I leaned on songs and music to get through it. So now I’m here as a singer and a songwriter.”
Esse recorte destaca três momentos: a preparação longa, o veredito de que ela “não era boa o suficiente” e a decisão de se apoiar na composição e na música como forma de seguir em frente.
“Rejection is redirection”: o lema do discurso
Na parte mais marcante da fala, EJAE dedicou o prêmio a quem se sente trancado do lado de fora. Ela disse:
“This award goes to people who have their doors closed at them, and that, I can confidently say, ‘Rejection is redirection,’ and so, never give up.”
Ao juntar “portas fechadas” e “redirecionamento”, o discurso cria uma imagem clara: o caminho não deixa de existir porque um acesso específico foi bloqueado. A frase funciona como síntese do próprio percurso dela, que saiu da rota idol e encontrou outro espaço possível como cantora e compositora profissional – inclusive na trilha de um filme que, em sua versão sing-along, liderou as bilheterias de fim de semana nos EUA.
Portas fechadas, novas janelas escancaradas
EJAE também ampliou o foco do relato para quem estava assistindo. Em um dos trechos, disse:
“It’s a dream come true to be part of a song that is helping other girls, other boys, and everyone from all ages to get through their hardship and to accept themselves.”
Ao mencionar “other girls, other boys, and everyone from all ages”, o discurso deixa claro que não fala apenas com trainees de K-pop, mas com qualquer pessoa que esteja atravessando dificuldades e tentando se aceitar. O filme, que já havia vencido Melhor Filme de Animação no Critics’ Choice Awards, reforça essa mensagem com personagens femininas fortes, lideradas por diretores como Maggie Kang e Chris Appelhans.
Quando relembra os dez anos dedicados ao sonho de se tornar idol, EJAE menciona explicitamente a sensação de não corresponder ao padrão esperado: a de que a voz “não era boa o suficiente”. Esse detalhe remete a um sistema de treinamento em que critérios de voz, aparência, idade e encaixe em grupo são decisivos para definir quem estreia e quem volta para casa.
Ao afirmar que se apoiou em canções e na composição depois da rejeição, ela mostra que a experiência dentro desse sistema não se encerrou no momento em que o debut não veio. O sucesso de KPop Demon Hunters, com mais de 236 milhões de views iniciais na Netflix e streams globais de suas músicas ultrapassando 3 bilhões, demonstra como esse conhecimento acumulado pode se conectar a projetos maiores.
Entre a realidade e a ficção
Embora a fala de EJAE parta da própria biografia, ela está conectada à canção que a levou à premiação. “Golden” é apresentada como parte de um filme de animação e, ao mesmo tempo, como canção que ajuda o público a atravessar dificuldades e processos de autoaceitação.
Ao dizer que é “a dream come true to be part of a song” que cumpre esse papel, EJAE vincula o impacto da letra ao momento em que ela mesma está vivendo no palco. A vitória não aparece isolada, mas associada a uma narrativa em que música e discurso compartilham o mesmo tema central: seguir adiante depois do não. O filme, que se tornou o primeiro lançamento da Netflix a liderar as bilheterias de fim de semana e acumula 522,8 milhões de views globais até o início de 2026, amplifica essa conexão.
Na parte final, EJAE encerra com uma linha que ecoa diretamente o título da música:
“It’s never too late to shine like you were born to be.”
A frase funciona como conclusão natural de tudo o que veio antes: a infância dedicada ao sonho, a longa fase de treinamento, a rejeição como idol e o reencontro com a própria voz em outro formato.
Ao escolher essa imagem de “brilhar” e ligar o brilho à ideia de que alguém “nasceu para ser” aquilo, o discurso reforça que o valor da pessoa não depende de ter sido aprovada em um molde específico. O troféu, nesse contexto, aparece como um sinal visível de um percurso que já vinha sendo reconstruído nos bastidores – e que, naquela noite, ganhou luz diante de uma plateia global, impulsionado por um filme que marcou história na Netflix como o mais assistido de todos os tempos.
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